Painel do Mundo
Por João Paulo Leal (11/10/2026)
O craque de quatro patas e o duelo na flanela

A bola é de feltro, mas a paixão que a move, caro leitor, é de carne e osso... e pelo. Meu nome é Peterson, e sou um botonista inveterado. Meu campo, uma tábua de aglomerado, é o palco das minhas batalhas. No entanto, meu desempenho andava pífio. Meus chutes, antes cirúrgicos, iam para a lateral. A crise coincidiu com a chegada de Boris, meu vira-lata caramelo, uma máquina de energia. O jogo de botão exige concentração de monge, mas Boris exige carinho imediato. Meu palco de duelos virou um inferno de interrupções. No começo, eu brigava: "Sai, Boris! Isso é a Tchecoslováquia, não um brinquedo!" Meu índice de vitórias caiu para 15%.
A Revolução da patada
O ponto de virada veio em uma partida decisiva contra meu vizinho, o impenetrável Professor Fubá. Eu perdia de 2 a 0. Desesperado, dei uma pausa e, ao voltar, encontrei Boris na beirada da mesa, de olhos fixos na bola. Fubá chutou forte, no canto. Gol certo. Nesse instante, Boris, reagindo à minha tensão, deu um latido agudo e, com a pata traseira, fez um movimento espasmódico que balançou a quina da mesa de aglomerado de forma imperceptível. O balanço fez com que a bolinha de feltro desviasse por meio milímetro, carimbando a trave e voltando. Fubá praguejou. Eu, incrédulo, fitei Boris, que me olhava com a expressão de quem diz: "Dá o troco, humano. Eu te dei o passe."
O treinamento (in)formal
A partir daquele dia, Boris se tornou meu coach motivacional.
A pausa Obrigatória
O jogo de botão pode ser obsessivo. A cada jogada frustrada, Boris me forçava a parar, exigindo um carinho. Essa pausa se tornou um timeout tático, forçando-me a resetar a concentração.
O "chutaço" de Boris
Aprendi a ler a linguagem corporal dele. Quando eu demorava para chutar, Boris ficava inquieto. Sua inquietação me lembrava: não hesite. Passei a chutar com mais convicção.
A celebração
Cada gol vitorioso é agora um festival. Boris pula, late e recebe uma bolacha como recompensa. Isso injetou uma energia positiva e lúdica no passatempo.
Mas a verdade, caro leitor, é que o futebol de botão, como a vida, é sobre equilíbrio e alegria. E para me ensinar isso, só precisou de um zagueiro de quatro patas que, com um balanço sutil, desviou não apenas uma bola, mas todo o meu foco. Meu time agora é invencível. E o melhor mascote do mundo late, abana o rabo e espera a próxima bolacha.
João Paulo Leal, carioca de 36 anos e vascaíno de coração, reside em Goiânia, onde construiu uma trajetória marcada pelo equilíbrio entre o Direito, a literatura e o esporte. Advogado, é pós-graduado em Direito Público e Psicologia Jurídica, atuando nas áreas previdenciária e pública, com dedicação à promoção da justiça social. Apaixonado pelo futebol de botão desde a infância, nos anos 1990, influenciado pelo irmão mais velho, mantém viva essa paixão como praticante das regras 12 Toques e Dadinho. Nas horas vagas, expressa sua sensibilidade através da escrita, dedicando-se à criação de poemas e artigos literários, nos quais reflete sobre a alma humana e as experiências do cotidiano.
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jp_lea@mundobotonista.com.br
(62) 99329-0074







































