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MUNDO BOTONISTA

Por Mario Augusto D'Amore (29/10/2026)

Júlio: sofrimento e peso de glória

Vejam só como se desenrola um trecho histórico clássico registrado no maior livro dos escritos santos. São Paulo disse, certa vez, aos coríntios (poderia ter sido no meio do clássico futebolístico, mas o contexto histórico e, mais do que isso, na conjuntura espiritual e escatológica, é mais profundo): "Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno." Enxergar o próximo plano, principalmente aquilo que está a um ou dois passos, é mais do mesmo. É para poucos, eu diria raríssimos, avistar uma luz onde existem obstáculos e tanto contra.

Quem diria que uma garagem, no comum bairro do Rio Pequeno, com botonistas despretensiosos, viraria referência nacional e o seria há mais de 35 anos? A explicação passa por um cabeçudo homem que ousou simplesmente fazer do normal algo nobre. Alguém que visualizou grandes momentos, homens encontrando outros homens que nunca tinham se visto antes, começando a construir caminhos árduos de sofrimento e pequenas gotas de vitória. Sim, porque, se não me engano, senhoras e senhores, a carreira da vida é mais construída de derrotas do que de vitórias.

Teria que ser um grandalhão, cara simples, paulistano raiz, que um dia teve a ideia de desalojar seu Opala para dar lugar a um divertimento tão peculiar e caro para todos nós.  O Grêmio Butantã nasceu em meio às lutas de um casal, ele mais a Fabi, em meio à criação das filhas (que, por sinal, são incríveis), numa rua escondida, escura e silenciosa.  O Júlio Cezar, nome de um imperador romano, não justificaria tanto a força de uma agremiação botonística quanto o seu sobrenome, Paterno.

Ele, literalmente, abraçou o esporte, abraçou a causa, abraçou a família em torno de uma ideia (e que o ajudou muito) e a abraçou, como abraça a cada um que chega lá, mesmo sem nem saber como dar uma palhetada (muitas vezes sem mesmo saber o nome de tal objeto). O Júlio é e foi o grande responsável por fazer a vida voltar a ter graça para muitos, forjou craques que hoje têm destaque no desporto federado e nos faz amar ainda mais, quem sabe, nosso primeiro amor de infância - o futebol de botão. O Julião, como o texto inicial nos contou, passa mais perrengues do que sucessos, mas persevera porque enxerga adiante o que quase ninguém vê: a eternização do nosso futmesa. Chega cedo para montar as mesas, deixar o salão arrumado, esperar com alegria a turma, desfrutar com alegria o que construiu.

Julião, você é o melhor "presida" que um presidente de garagem poderia ser. Não há como o Grêmio Butantã ser sem você. O texto é só para lhe agradecer a enorme nobreza que é ter o privilégio de poder participar das tais noites de sexta-feira ali no Rio Pequeno e viver ali, em meio à sofrência das derrotas, o peso de glória de experimentar os melhores dias de um esporte tão amado e tão gostoso de praticar e, de quebra, e o que é ainda melhor, fazer sempre novos amigos mesaboleiros.

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O paulistano Mario Augusto D'Amore trabalha com registro de animais na ABCCH e é um apaixonado pelo futebol de mesa desde os seis anos de idade quando conheceu os times do modelo tampa. Adepto da regra 12 toques, Mário sempre dá um jeito de contribuir com o futebol de mesa - mesmo quando lhe falta tempo jogar - nem que seja criando as tabelas para os torneios do Grêmio Butantã (time do qual faz parte).

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