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  Por Julio Simi Neto (28/08/2026)

O Estrangeiro

Caros amigos e fiéis leitores da coluna “Muito Além das Mesas”, neste mês de agosto, chegou a vez de sugerirmos um livro e, se você gosta de ler, sua companheira ou seus filhos também, então aqui vai uma caprichada dica de leitura. A obra indicada é o espetacular drama intitulado “O Estrangeiro” (1942) do franco-argelino Albert Camus (1913 – 1960).

Camus foi escritor, filósofo e jornalista, sendo considerado um dos melhores contribuintes da literatura do século XX. Camus nasceu na costa da Argélia, numa localidade chamada Mondovi. Vindo de uma pobre família pied-noir — termo usado para descrever os europeus nascidos na Argélia Francesa durante o período colonial —, perdeu seu pai cedo em batalha na Primeira Guerra Mundial. A sua mãe, que ficou viúva, era surda e muda, teve que lavar roupa para a vizinhança e foi assim que ela sustentou seus dois filhos, sendo Albert o caçula. Já adulto, mesmo enfrentando dificuldades, Camus se forma em filosofia na faculdade em Argel. Durante a Segunda Guerra, ele foi morar na França e lá lutou pela resistência francesa contra a ocupação dos nazistas.

Camus foi também um romancista fluente; suas obras foram parar no teatro, explorando temas do absurdo na condição humana, sempre procurando o significado. Camus não teve influência política, pois ele não apoiava o totalitarismo. No ano de 1957, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura pelo conjunto de suas obras. Uma curiosidade é que Camus adorava o futebol, pois jogou pela faculdade e muitos diziam que ele era um ótimo goleiro. Ao visitar o Brasil em 1959, Camus assistiu a algumas partidas de futebol, o que o fez ainda mais se apaixonar por esse esporte. Em 1960, numa viagem de carro, seu amigo e editor, Michel Gallimard, era quem dirigia. O carro estava em alta velocidade e, ao perder o controle após o estouro de um pneu, acabou colidindo contra uma árvore. A única vítima fatal, no local, foi Camus, que perdeu a vida aos 46 anos de idade, deixando esposa e dois filhos. Já Gallimard faleceu no hospital cinco dias depois.

Enfim, no seu livro “O Estrangeiro”, na primeira parte, o leitor irá conhecer um cidadão fictício, francês apático e solteiro, de nome Meursault, que mora no norte da África, na região do Mediterrâneo. Semanas após o funeral de sua mãe, ele entra numa discussão na defesa de um amigo e acaba matando, por futilidade, um árabe. Na segunda parte, vemos Meursault sendo preso pelo seu crime e aí começa, de forma indagadora, o julgamento, no qual se discute não só o crime cometido, como também, em maior ênfase, a falta de sentimento que Meursault demonstrou pelo falecimento de sua mãe.

“O Estrangeiro” é, sem dúvida, uma obra-prima de apenas 126 páginas, que inicia de maneira antológica logo no seu primeiro parágrafo, com o icônico: "Aujourd'hui, maman est morte. Ou peut-être hier, je ne sais pas"¹. O livro possui uma leitura envolvente, fazendo o leitor não largá-lo em nenhum momento. “O Estrangeiro” foi editado aqui no Brasil pela editora Record e pode ser encontrado no Kindle.

O cinema também esteve presente nas obras de Camus. “O Estrangeiro” chegou às telas em 1967, por meio do diretor italiano Luchino Visconti, e, em abril de 2026, surgiu uma nova adaptação deste livro, tendo a direção do francês François Ozon. O outro clássico de Camus, “A Peste” (1947), foi lançado no cinema em 1992, sob a direção do argentino Luiz Puenzo, com a participação dos atores já falecidos, William Hurt e Robert Duval.

É isso ai! Quer ler um excelente livro e tê-lo na sua prateleira? Então compre e leia “O Estrangeiro” de Albert Camus, você não irá se arrepender.

¹ Minha mãe morreu hoje. Ou talvez ontem, não sei.

O estrangeiro
Autor: Albert Camus
Título Original: L'étranger?
Lançamento no Brasil: 1979
Editora: Record

Páginas:  (126)

Biblioteca de "Muito Além das Mesas"
Reler publicações anteriores de Julio Simi Neto.

Formado em comunicação social na faculdade Cásper Libero, talentoso escritor de obras ficcionais (duas das quais já publicadas) e cinéfilo desde garoto, Julio Simi Neto, mais conhecido como Julinho, é nascido em São Paulo no ano de 1956 e, como todos os botonistas, pratica o jogo de botão desde pequeno, época em que vivia na Vila do Matarazzo no bairro do Belenzinho. Foi um dos fundadores da "Villa Botão", uma das mais famosas garagens do futmesa paulista que perdurou de 2002 a 2008. Foi nesta época que Simi idealizou o "Vai Pro Gol", um dos primeiros veículos de comunicação via Internet - uma espécie de boletim semanal que, apesar de focar no futebol de mesa, incluía curiosidades e dicas culturais.
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