Painel do Mundo
Por José Carlos Cavalheiro (22/08/2026)
O futebol de mesa na Geórgia

A República da Geórgia é um pequeno país localizado no Cáucaso, que é uma região que marca uma das fronteiras entre a Europa e a Ásia. O país fez parte da União Soviética até 1991, quando restaurou sua independência. No Brasil não se conhece muito sobre esse país a parte de algumas figuras muito famosas do século XX como Joseph Stalin (líder da URSS), Eduard Shevardnadze (ministro das relações exteriores da URSS e presidente da Georgia), George Balanchine (coreógrafo) e os jogadore de futebol Kakha Kaladze, que conquistou duas vezes a Champions League jogando no Milan com Dida, Cafú, Serginho e Kaká. Atualmente se destacam Khvicha Kvaratskhelia, um dos craques do milionário elenco do Paris Saint-Germain e Giorgi Mamardashvili, goleiro do Liverpool.
Entretanto, temos alguns pontos em comum com os georgianos como a devoção que católicos e umbandistas têm por São Jorge. O nome do país é uma referência ao santo e o elemento central de la bandeira a Cruz de São Jorge, que é considerado padroeiro de Geórgia. Como nós, os georgianos amam o futebol. Não o conhecemos muito sobre o futebol georgiano mas seus jogadores, com russo e ucranianos, formavam a base da equipe da URSS.

O Dínamo Tbilisi, na década de 70 e no início da década de 80, foi uma equipe importante no cenário europeu, tendo vencido a Recopa da UEFA em 1981. A equipe também foi semifinalista da mesma competição na temporada seguinte. Se eles amam o futebol, como era de se esperar, também levaram o jogo para fora dos gramados. Lá eles praticam o futebol de botão também, Ghilburt (ღილბურთი) em sua língua.
"Na Geórgia, a tradição do esporte teve origem na década de 1960 e é praticada por gerações sucessivas de jogadores. Era um jogo amplamente conhecido na época, apreciado por crianças em quintais e casas em diferentes bairros da capital, Tbilisi. Hoje em dia, o futebol de botões é apreciado por uma pequena comunidade de jogadores de forma irregular. A jogabilidade em si evoluiu e pode-se dizer que passou por uma evolução tanto no profissionalismo, na qualidade dos botões e estádios quanto nas nuances táticas e nas regras." Afirma Andro Atoev, um georgiano apaixonado pelo nosso esporte.

Lá, eles podem usar botões de diferentes materiais plásticos – galalite, acrílico, poliéster. Embora alguns prefiam botões modernos, usinados, o mais comum é usarrmos botões de roupas velhas dos anos 50-60 e goleiros feitos de telefones antigos (telefones soviéticos, normalmente). Eles são como um padrão e temos mais do que o suficiente deles. Nos anos 60-70 o maior botão era o que atuava como goleiro. Agora é muito difícil um goleiro marcar um gol, normalmente de escanteio, como no futebol real. A regra atual é que se a bola cair dentro do goleiro, isso se configura fim do ataque e um tiro de meta é concedido. Fim do ataque significa que se pode deslocar todos os botões para suas posições originais no campo (com as mãos).
Os georgianos usam um botão de roupa menor como bola. Este botão é processado com lima e lixa para ter um formato de disco, não redondo, muito parecido com um botão de jogador. Como a bola também é feita à mão, é importante que o produto final exclua o elemento de aleatoriedade e dê aos jogadores a chance de executar passes de longa distância, bem como um chutes mais longos. Uma bolinha boa é aquela que não rola aleatoriamente nem coloca o botonista numa situação inespeada durante o jogo.
As partidas, em si, consistem em dois tempos de 15 minutos. Em caso de empate em tempo integral, é jogada uma prorrogação de 3 minutos por tempo. A dinâmica do jogo é baseada em turnos. Os jogadores têm direito a um toque apenas durante a sua vez. Você só pode chutar ao gol quando a bola está na metade do campo pertencente ao oponente, portanto a estratégia do jogo é forçar o adversário a cometer um erro. Você também pode ganhar o direito de ter 2 toques, se o oponente cometer uma falta, conceder um escanteio ou uma lateral em situações específicas.

Prezado leitor, você poderia imaginar que em um pequeno país do Cáucaso, tão longe de nós fisicamente e culturalmente, do qual pouco ouvimos falar, existia uma outra forma de futebol de mesa? Deixe seu comentáio no na postagem dessa crônica no nosso Facebook. Aproveito para compatilhar com vocês estes links dos canais nas redes sociais dos nossos amigos europeus.
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Formado em Agronomia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, José Carlos Marques Cavalheiro, nasceu na capital carioca no ano de 1962. Foi atleta de futebol de mesa na regra12 Toques de 1998 a 2005, quando foi viver em diferentes lugares: São Paulo, Paris, Jundiaí e Bogotá, onde atualmente reside. É o responsável pelo site da FEFUMERJ desde dezembro de 2004. Atualmente exerce o cargo de Diretor de Comunicação da entidade.
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