Painel do Mundo
Por Robson Marfa (14/05/2026)
A força da nossa pluralidade: o mapa do futebol de mesa brasileiro

O Brasil é, reconhecidamente, o país dos "muitos botões". Mais do que uma simples variedade de materiais, vivemos uma pluralidade de regras que refletem as paixões e costumes de cada região. Hoje, trago uma reflexão sobre como essa diversidade, que antes poderia ser vista como fragmentação, tornou-se o nosso maior pilar de crescimento dentro da Confederação Brasileira de Futebol de Mesa (CBFM).
O olhar histórico e a expansão estratégica
A CBFM nasceu na década 1980, fundamentada no tripé: 1 Toque, 3 Toques e 12 Toques. Naquela época, o mapa era bem definido: o 1 Toque pulsava no Nordeste e Rio Grande do Sul; a 12 Toques consolidava-se no eixo São Paulo-Paraná; e a 3 Toques mantinha sua tradição no Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Com o tempo, entendemos que o papel da Confederação não era apenas conservar o que existia, mas abraçar o novo. Criamos critérios para regras experimentais, permitindo que regras regionais ganhassem o selo oficial de excelência. O Dadinho, nascido no Rio de Janeiro, foi o pioneiro nesse processo, provando que a facilidade de aprendizado e a popularidade são motores de renovação.
Mais recentemente, demos passos largos rumo à globalização. Ao integrarmos o Sectorball, o Chapas e o Subutteo, a CBFM não apenas trouxe o mundo para o Brasil, mas abriu portas para que nossos atletas cruzassem fronteiras.
Gestão baseada em dados: o sistema
Starburst
Como gestor, acredito que não se administra o que não se mede. Por isso, ressalto a importância do sistema
Starburst Leagues. Por meio dele, hoje mapeamos com precisão o nosso banco de atletas. Sabemos quem são, onde estão e qual a faixa etária dos praticantes de cada regra. Esses dados são a bússola que permite à CBFM incentivar a entrada de novas regras em praças que antes eram exclusivistas.
A transparência é um valor inegociável na minha visão de esporte. Por isso, compartilho abaixo um raio-x do nosso contingente atual, destacando o papel protagonista do Rio de Janeiro como o único estado a praticar, com excelência, as sete regras oficiais.
Olhando os números
Com o auxílio dos números, começamos a entender melhor como estamos distribuídos em quantidades de atletas, regras e estados.
1 Toque
Com 1.424 atletas, a regra 1 Toque unificada é a segunda maior regra da CBFM. Combina a tradição do Liso com a força do Cavado, refletindo a pluralidade brasileira. Rio Grande do Sul segue como grande referência, com 601 atletas.
12 Toques: a regra de ouro
Com 1.085 adeptos, é a regra com maior corpo de atletas. Se antes era um reduto de São Paulo e Paraná, hoje meu maior orgulho é ver o trabalho da CBFM florescer no Norte e Nordeste. A chegada com força ao Sul (Rio Grande do Sul e Santa Catarina) mostra que a 12 Toques é hoje uma linguagem nacional.
Dadinho: O fenômeno de massa
Com 934 adeptos, o Dadinho é a regra que mais cresce no país. O mérito aqui vai para a coordenação de regras experimentais: a exigência de assiduidade e o crescimento vertical transformaram uma diversão carioca em um esporte praticado do Chuí ao Oiapoque.
3 Toques: resiliência e ressurgimento
Com 255 adeptos, a regra encontrou um porto seguro no Centro-Oeste. É gratificante observar o aumento de praticantes no Rio Grande do Sul e, especialmente, o ressurgimento da regra nas regiões Norte e Nordeste, provando sua vitalidade
As Regras Internacionais (Sectorball, Subutteo e Chapas)
Nossa conexão com o mundo passa por aqui:
- Sectorball (55 adeptos): essencial para nossa inserção no Leste Europeu. Já possui praticantes do Sul ao Nordeste.
- Subbuteo (45 adeptos): o intercâmbio com a Europa é o grande atrativo. Embora concentrado no Sudeste, já vemos sementes brotando no Nordeste.
- Chapas (25 adeptos): nossa ponte cultural com a América Latina e Espanha. Manter esta regra viva é preservar a história do botão no continente.
Conclusão: unidade e diversidade
Minha visão é clara: a pluralidade de regras não divide o nosso esporte; ela o enriquece. Quando a CBFM organiza campeonatos nacionais de sete regras diferentes, ela envia uma mensagem ao mundo: o "Brasil de Botão" sabe conviver com suas diferenças.
Caminhando juntos, compartilhamos experiências administrativas, técnicas e, acima de tudo, sociais. Somos mais fortes porque somos muitos. Vale ressaltar, e é um exemplo para todos, o trabalho de abraçar todas as regras no Rio de Janeiro e, como vimos nos dados, mais outros estados estão no mesmo caminho.
Biblioteca de "CBFM em ação"
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Carioca, botafoguense e analista de sistemas, Robson Marfa compreendeu cedo que o sucesso nasce da intersecção entre paixão e estratégia. Ao transpor o rigor do Processamento de Dados e a visão sistêmica de seu MBA em Gerenciamento de Projetos para o universo das mesas, Robson transformou a gestão do futebol de mesa nacional e continental quando presidiu a CBFM e hoje, quando comanda a Confederação Sul-Americana. Mas o gestor não caminha sozinho sem o atleta: a precisão que ele prega na governança é a mesma que o consagrou nas mesas de Sectorball, acumulando quatro títulos de Campeão Brasileiro, duas Copas do Brasil e um expressivo 4º lugar no Mundial de 2022.
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