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MUNDO BOTONISTA
Fala sério!

Por Claudio Pinho (21/09/2026)

O artesão

É público e notório que o ser botonista é diferenciado; chego a dizer que, de perto, nenhum de nós é totalmente normal. Fazemos coisas que só a paixão pelo nosso esporte explica, nunca a frieza da lógica. E neste universo/multiverso temos uma categoria sensacional, que são os artesãos e comerciantes de futebol de mesa.

Tem um, no Rio de Janeiro, que é uma figuraça, até mesmo para os já considerados fora da curva. Seu ambiente de trabalho fica em um prédio comercial, localizado no centro da cidade, que tem acesso bastante tranquilo. Entretanto, a facilidade de locomoção chega apenas até a porta do estabelecimento. O acúmulo de peças, botões, equipamentos e demais tralhas torna quase impossível transitar na sala. Já aconteceu de eu ter que esperar que ele limpasse o acesso para poder entrar, isto por causa dos objetos que vai jogando no chão. Mas uma ressalva tem que ser dita: o banheiro é impecável, digno de um shopping, e o que isto significa? Preferi nunca perguntar. Na sua sala, os interruptores de luz ficam no teto, isso mesmo! No teto da sala. A geladeira é tão velha e enferrujada que assusta qualquer um.

Na primeira vez que fui, deram-me um sábio conselho: “se tiver urgência, fica com ele, porque sem resenha o trabalho não anda”. Seguindo essa orientação, cheguei cedo; às 15 horas, estava na sala cobrando o trabalho. De cara tive a informação de que só pode ligar o torno após as 18 horas por causa de uma clínica ao lado. Diante da alegação, me conformei e fiquei três horas em uma resenha de alto nível. Finalmente o trabalho começou, mas foi ficando muito tarde e, como faltavam só dois botões, fui embora.

No dia seguinte liguei para saber se podia pegar o time e a resposta foi que não estava pronto. Mas, como faltavam só dois, explicação puramente técnica: “você foi embora, parei de fazer”. Mas a jornada não acaba aí; pedi para fazer um goleiro, este até foi rápido. E recebo uma ligação do artesão: “Qual nome ponho no goleiro?” Já derrotado, digo para colocar qualquer nome. Resultado: recebi o goleiro, muito bem-feito, mas pasmem: o meu camisa 1 veio batizado de QUALQUER NOME. Realmente, é para nunca mais esquecer.

Fala sério!

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Claudio Pinho

O carioca Claudio Pinho é formado em jornalismo e atuou, até recentemente, na área comercial. Ocupa, desde 2015, o cargo de presidente da Federação de Futebol de Mesa do estado do Rio de Janeiro (FEFUMERJ), tornando-a uma das maiores e mais diversificadas do Brasil. No Portal Mundo botonista nos contará "causos" engraçados que presenciou na sua larga experiência como atleta da regra 1 Toque e dirigente esportivo.

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pinho@mundobotonista.com.br

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