Painel do Mundo
Por José Carlos Cavalheiro (27/05/2026)
O futebol de mesa na Polônia

O futebol com botões de roupa tem uma tradição curiosa e pouco conhecida. Na Polônia, é conhecido como “piłka guzikowa” (bola de botão, em tradução literal). Por lá, esse jogo surgiu como uma forma criativa de entretenimento doméstico, especialmente entre crianças e jovens no período pós-guerra, quando brinquedos industrializados eram escassos. Usar botões de roupa para simular jogadores era uma solução simples e acessível — muito semelhante ao que ocorreu em outros países europeus, como na Espanha e na Hungria, e até em outros lugares do mundo, como no Brasil, Argentina e Uruguai.
Para os poloneses, os “jogadores” são botões de roupa comuns, geralmente maiores e mais planos. Por sua vez, a bola pode ser uma pequena conta, miçanga ou peça de plástico, no jogo infantil. Os que levam a coisa mais a sério utilizam uma verdadeira bola para jogar. O campo era desenhado sobre uma mesa ou tabuleiro improvisado. Entretanto, atualmente, já existem mesas específicas para a prática do “piłka guzikowa”. Um dado interessante é que, similarmente ao que ainda acontece com alguns praticantes da regra 1 Toques, no Nordeste, o acionamento dos botões é feito com os dedos, movimentando-os para efetuar passes e chutes.
Apesar de a essência ser a mesma, há diferenças marcantes em relação ao futebol de botão brasileiro. A primeira é o material. Na Polônia, como anteriormente comentado, são usados botões de roupa simples. Por sua vez, no Brasil, foram desenvolvidas peças específicas com times personalizados, goleiros. Outra diferença marcante é o aspecto formal do jogo no nosso país, onde é considerado um esporte há quase quatro décadas, com a criação de federações e campeonatos oficiais. Na Polônia, a prática permaneceu mais informal e doméstica, apesar de existirem grupos organizados para a sua prática. Alguns dos seus atletas já participaram de campeonatos europeus de regras oficiais.
Por exemplo, Jakub Krüger, pioneiro do jogo na Polônia, esteve presente no Campeonato Mundial de Futebol de Mesa na cidade de Debrecen, na Hungria, realizado em 2015. No mesmo ano, a cidade de Póznan sediou um evento internacional com atletas da Geórgia, Catalunha e Hungria. Distante a três horas de carro de Póznan, está localizado o Museu Guzików w Łowiczu que guarda mais de quatro mil botões, incluindo os pertencentes a figuras históricas, artistas e personalidades polonesas. Uma verdadeira tentação para os aficionados.
Em junho de 2025 foi realizado um outro torneio em Póznan com 45 participantes, entre eles o romeno István Mártonfi, presidente da International Table Football Confederation (ITFC), entidade à qual o Brasil é filiado, demonstrando o crescente intercambio entre os europeus e a crescente participação polonesa.
O “piłka guzikowa” carrega um valor cultural ligado à criatividade que brota em tempos de escassez e ao espírito comunitário — crianças jogando juntas, inventando regras e recriando o futebol com o que tinham à mão. Lembram de algo? Quem domina a língua polonesa ou quem quiser se arriscar, pode visitar a página https://tmgg.pl/ onde encontrará muitas informações sobre o tema.
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Formado em Agronomia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, José Carlos Marques Cavalheiro, nasceu na capital carioca no ano de 1962. Foi atleta de futebol de mesa na regra12 Toques de 1998 a 2005, quando foi viver em diferentes lugares: São Paulo, Paris, Jundiaí e Bogotá, onde atualmente reside. É o responsável pelo site da FEFUMERJ desde dezembro de 2004. Atualmente exerce o cargo de Diretor de Comunicação da entidade.
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