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  Por Julio Simi Neto (29/05/2026)

O milagre de Berna

É hora de mais uma dica da Sétima Arte aqui na coluna “Muito Além das Mesas”. Como em junho agora teremos a “Copa do Mundo 2026”, sua vigésima terceira edição, que será realizada, pela primeira vez, simultaneamente em três países: Estados Unidos, México e Canadá. Por isso, irei indicar aqui um filme superlegal que tem o futebol como destaque! Sendo assim, em homenagem a esse mundial de futebol, a dica vem de um filme cativante, intitulado “O Milagre de Berna” (2003), uma produção alemã que foi dirigida e escrita pelo alemão Sonke Wortmann.

O que você irá acompanhar neste filme é a aventura de um menino que se chama Matheus Lubanski (Louis Klamroth), vivendo em 1954, ano em que irá acontecer na Suíça a “Copa do Mundo” na sua quinta edição. Mathias (Klamroth) mora numa cidade do interior da Alemanha Oriental, com sua mãe e dois irmãos, onde trabalham num bar que seu pai deixou, pois ele foi lutar na II Guerra como soldado alemão. Posteriormente acabou sendo preso pelos russos e, quando a guerra terminou, foi levado para a Sibéria, onde ficou em regime de serviços forçados. Passados onze anos, o pai de Mathias (Klamroth), de nome Richard Lubanski (Peter Lohmeyer), que ficou em serviços forçados, é libertado e retorna para casa. Mas seu relacionamento com a família, devido à prisão, é difícil e rude; inclusive, ele não viu seu filho caçula (Mathias) nascer.

Porém, o que está motivando a Alemanha naqueles dias é a participação do país na “Copa do Mundo”, a primeira após o fim do conflito, o que deixa todos os habitantes da cidade de Essen-Katernberg na expectativa para que a seleção alemã faça uma boa campanha na Suíça. O garoto Mathias, um apaixonado pelo futebol, tem como ídolo o artilheiro daquela seleção chamado Helmut Rahn (Sascha Gopel), que mora na cidade e é amigo do menino. À medida que a seleção alemã avança na competição, o pai de Mathias vai superando os traumas da guerra e, com isso, acaba interagindo com a sua família e sente a necessidade de se aproximar mais do seu filho caçula. 

Quando os alemães chegam à final da Copa, tendo que disputar o título contra a favorita seleção da Hungria, dos craques Puskas e Kocsis, na capital Berna, o pai de Mathias consegue, na última hora, um carro e leva seu filho para assistir a esse jogo, fazendo com que, o que parecia ser um sonho impossível, se torne realidade para o garoto Mathias. “O Milagre de Berna” mistura a ficção — que foi a família de Mathias e sua aventura — com o fato real dessa competição, sendo o jogo da final um “milagre”, que foi o título conquistado pela Alemanha ao vencer a Hungria por 3 x 2, já que ambas as seleções se enfrentaram na fase de grupos e a Hungria goleou a Alemanha pelo placar de 8 x 3.

Um detalhe curioso das filmagens da partida decisiva foi a escolha dos atores que interpretaram os jogadores alemães: eles foram escalados de modo a reproduzir fielmente a formação que disputou aquele jogo memorável. Entre eles, destaca-se Knut Hartwig, responsável por dar vida ao capitão Fritz Walter — justamente o jogador que, na ocasião histórica, recebeu a Taça Jules Rimet das mãos do próprio Jules Rimet, então presidente da FIFA.

Eis a dica desse filme histórico. E, estando no clima de “Copa do Mundo”, se ainda não conheceu como foi essa Copa de 1954 na Suíça, aí está uma bela oportunidade. Atualmente, “O Milagre de Berna” ainda não está disponível nos principais serviços de streaming do Brasil. Porém, esse filme pode ser encontrado para compra ou aluguel digital no “Google Play Filmes”. Vale a pena conferir.

O milagre de Berna
Direção: Sonke Wortmann
Roteiro: Sonke Wortmann
Título original: Das Wunder von Bern
Lançamento: 2003
Produção: Little Shark Entertainment GmbH

Duração:  (118 minutos)

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Reler publicações anteriores de Julio Simi Neto.

Formado em comunicação social na faculdade Cásper Libero, talentoso escritor de obras ficcionais (duas das quais já publicadas) e cinéfilo desde garoto, Julio Simi Neto, mais conhecido como Julinho, é nascido em São Paulo no ano de 1956 e, como todos os botonistas, pratica o jogo de botão desde pequeno, época em que vivia na Vila do Matarazzo no bairro do Belenzinho. Foi um dos fundadores da "Villa Botão", uma das mais famosas garagens do futmesa paulista que perdurou de 2002 a 2008. Foi nesta época que Simi idealizou o "Vai Pro Gol", um dos primeiros veículos de comunicação via Internet - uma espécie de boletim semanal que, apesar de focar no futebol de mesa, incluía curiosidades e dicas culturais.
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