Painel do Mundo
Por Marco D´Amore (26/02/2026)
O grito foi só o começo

Desde o seu lançamento, de sua primeira edição e, mesmo na escolha do seu nome, esta coluna já dizia ao que vinha: ser um alerta a toda comunidade botonista. O grito (o rei está nu!), como na tradicional fábula de Hans Christian Andersen, pretendia deflagrar uma mudança no comportamento das pessoas que, intimidadas diante do absurdo, hesitavam em admitir o óbvio. Neste caso, que precisávamos reagir frente à diminuição do poder do nosso esporte em atrair novos adeptos, principalmente jovens adeptos.
Estou aqui para escrever a última crônica desta coluna. Jamais imaginei que seria a mais difícil. É bem duro mesmo esse momento de despedida. As palavras não saem. Parece que o lápis tem travas. Uma espécie de cinto de segurança que prende a liberdade que, por exemplo, a moto dá. Vou tentar dissertar sem vento na cara, porém garanto mais uma vez que não é fácil e a ponta está quebrando, arranhando a folha, rangendo como se questionasse: "Ué, por que a falta de criatividade?"

O ciclo chega ao fim com a certeza do dever cumprido. Eu mesmo, pessoalmente, me envolvi mais nessa causa, o estado de São Paulo ganhou uma diretoria específica para o Sub-18, tive a oportunidade de entrar em contato com projetos e também com as mesmas dores e objetivos Brasil afora e com
insights
diferentes, pessoas de culturas e realidades variadas, com inúmeras contribuições, o que me deu uma visão mais ampla do que pode (digo mais, deve) ser feito. Esse grito de alerta foi dado e agora a função é dos amantes do esporte, de além de ouvi-lo, reverberar tal angústia e aflição, e mais que isso, seguir nessa empreitada árdua de continuar motivando os novatos a engrossar o caldo do bom e velho futebol de mesa. Devemos todos selar e manter essa conexão.
Não posso deixar de agradecer a todos os que me ajudaram e ajudam a fazer isso acontecer. Com receio de esquecer alguém, não o farei nominalmente agora, mas prontamente assim que tiver a chance de relatar algo mais à frente. Agradeço ao Mundo Botonista por ter dado essa oportunidade de externar tais problemas e podermos discutir todas as possíveis soluções. Porém, seguirei por aqui, daqui para frente, registrando os projetos que têm gerado frutos positivos para a renovação do esporte, mesmo porque "...o trem que chega é o mesmo trem da partida...", e peço a todos que entrem em contato e sintam-se à vontade de divulgar as suas iniciativas.
Vários bons exemplos estão no gatilho para já serem contados à vocês em breve, como o trabalho incrível feito nas escolas do município de Horizonte no Ceará, que será contado a vocês amanhã aqui mesmo no portal pela sua autora, a educadora física Daniele Moreira. O próprio Circuito AGORA É GOL, já mencionado em uma das crônicas anteriores, sobre o qual farei um balanço no tempo oportuno. Em suma, deixo aqui meu abraço de coração a você leitor que me prestigiou carinhosamente e um último recado pegando carona na poética de Milton Nascimento na célebre Encontros e despedidas: "A plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar....é a VIDA!"
Biblioteca de "O rei está nu"
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Marco Aurélio D’Amore nasceu em 1975 em Sta. Bárbara d’Oeste, é formado em Engenharia Civil, com pós em Produção, é um eterno entusiasta da Gestão de Projetos. Joga botão desde 1979 e é federado desde 2017, quando foi batizado Marco Butantã em homenagem ao Grêmio de mesmo nome. Ama o “Botonismo”, mas a briga pelo 1º lugar é boa com a Música! “Mil tons” à parte, gosta de missões bem difíceis, como apresentar o contradito e desafiar as obviedades discursivas. Como cronista da coluna "O rei está nu" Marco quer ser a voz de todos aqueles que se preocupam com a renovação do futebol de mesa em todo território nacional - divulgando as melhores iniciativas de reintegração de atletas e formação de novos adeptos.
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damore@mundobotonista.com.br




































