Painel do Mundo
Por Mario Augusto D'Amore (01/06/2026)
O Ivo, a infância e tudo mais
Os anos 70 marcaram a minha história. Claro, o ano em que nasci foi 1973. Mas, além disso, o Mario de hoje tem como base o que aconteceu naqueles 7 anos mais o início dos 80. Em 1972, nascia meu melhor amigo de infância, o Ivo, "o cara" desta crônica de hoje.

Nossa amizade começa na escola (eu estudava na mesma turma que a irmã dele), passa pelo clube que frequentávamos em comum, o Esporte Clube Barbarense, além de morarmos a cerca de 400 metros de distância um do outro. A cidade de Santa Bárbara D'Oeste foi o palco da nossa caminhada até meus 12 anos, quando vim para a capital paulista. Entre um futebolzinho no clube, rolês de bike pela cidade e os jogos do União Agrícola Barbarense, no Antônio Lins Guimarães, nossos laços cresciam e nos desenvolvíamos como cidadãos.
Em meio à jornada, uma das coisas das quais nos recordamos é a coleção de figurinhas durante a Copa do Mundo de 1982. Os chicletes PING PONG traziam na embalagem uma figurinha junto com cada unidade. Além do prazer de desfrutar da guloseima, tínhamos outro que era o de encontrar um craque no meio do "desembrulho" do doce. Uma epopéia que serviu para nossa "formação" como aficionados por futebol. Jogadores como Paolo Rossi, nosso carrasco, Maradona, Zico e Sócrates, entre tantos outros, saltavam aos nossos olhos tanto quanto quando os víamos brilhando nos campos.
Albuns do do acervo do Ivo
Época da Democracia Corinthiana, do jejum do Palmeiras, da glória recente do Guarani, campeão brasileiro de 1978 (da cidade vizinha de Campinas). Tempo em que o futebol apareceu para nós como algo que nos conectava. Eu, corinthiano, o Ivo, palmeirense. Vejam só!
Éramos mascotes do Leão da 13, o União, nosso "segundo" time do coração, e íamos aos jogos sempre que dava. O estádio era praticamente na nossa rua. Quando não dava para ir porque o jogo era fora de casa, ligávamos o rádio na estação local e, cada qual em sua casa, nos ligávamos (telefone com fio) e ficávamos ali comentando o jogo até que ele acabasse. Ainda bem que a ligação local não incrementava a conta.

União Barbarense do início da década de 80 e nós de mascotes
Lembro da casa do Ivo, onde, além das brincadeiras citadas, assistíamos a filmes, pilotávamos Autorama, brincávamos muito no quintal gigante. Até as mulheres da casa, a D. Maria Eliza, a Cilza, a Vê e a
nona entravam na confusão. Que tempo bom!
Na minha casa, um canto especial onde nos reuníamos era a sala de jogos da casa que meu pai projetou e na qual moramos por 10 anos. Lá era o lugar da mesa de futebol de botão, em aglomerado e que teve as linhas do campo devidamente desenhadas pelo meu pai com nossa ajuda. Essa mesa foi a segunda (depois do Estrelão) em que começamos a desenrolar nossa paixão pelo futmesa e a solidificar o que já havia de bom nessa amizade. Vizinha a ela, e em igual escala de entretenimento, estava a mesa de sinuca. Os primeiros campeonatos com os Brianezi foram ali e guardaram recordações de tenras disputas e de gols antológicos. A velha casa da Rua dos Girassóis segue lá, com outros moradores e com infinitas histórias para contar, que, por ora, não cabem nesta crônica, mas certamente aparecerão, de alguma forma, nos próximos rabiscos e letras que aqui vocês encontrarão.
Família de Ivo
Melhor ainda do que a recordação é ter, por estes dias, conversado por celular com este amigo querido para trazer uma ou outra imagem desta história. Hoje, com nossas famílias formadas, nossos filhos se tornando profissionais em suas áreas, temos uma certeza: essa época formou o que somos hoje e se reflete nos herdeiros, que crescem em estatura e graça. E, de alguma forma que só o mundo botonístico pode explicar, nos reconectamos para contar um pouco do que nossa linha do tempo fez com a gente e continua a fazer.
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O paulistano Mario Augusto D'Amore trabalha com registro de animais na ABCCH e é um apaixonado pelo futebol de mesa desde os seis anos de idade quando conheceu os times do modelo tampa. Adepto da regra 12 toques, Mário sempre dá um jeito de contribuir com o futebol de mesa - mesmo quando lhe falta tempo jogar - nem que seja criando as tabelas para os torneios do Grêmio Butantã (time do qual faz parte).
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