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MUNDO BOTONISTA
Em Algum Lugar do Passado

Por José Jorge Farah Neto (03/04/2026)

Um pouco de história

Não se sabe, com certeza, onde e como surgiu o “jogo de botões”, aquilo que hoje se tornou o esporte difundido e amado por uma legião com um número incontável de praticantes e admiradores, com sua diversidade de regras e materiais, tendo adeptos em muitos países. Sobre sua “criação” ou “descobrimento”, há muitas hipóteses; vejamos algumas delas.

Na Europa do início do século passado, está registrada em divulgação no jornal ou folheto impresso chamado Leader, de Londres, Inglaterra, uma foto datada de 1910, na qual aparecem dois técnicos-jogadores concentrados na manipulação de seus botões distribuídos sobre uma mesa de jogo, com dois goleiros nas suas extremidades. Pergunta-se: “seria a origem europeia do jogo de futebol de botão?” ou ainda: se “o futebol de botão também teria se originado na Inglaterra, país dos inventores e organizadores do futebol como associação do futebol de campo?”. Tudo isso vem por terra, quando se verifica que no continente europeu se pratica — e muito — o “Subbuteo”, que lembra nosso esporte, mas é disputado de forma bem diferente. Inclusive, comento que a nossa Confederação Brasileira de Futebol de mesa (CBFM) participa da entidade que organiza o Subbuteo em nivel mundial: a Federation of International Sports Table Football (FISTF).

botões de casaco e feitos de coco - os primeiros craques do nosso esporte

Entre outras hipóteses, podemos também citar o apaixonado pelo esporte, Ubirajara Godoy Bueno, que levanta no seu livro "Botoníssimo" (Livro 1 - 1998), onde escreve: "As origens de vários jogos foram reveladas por meio do rastreamento da história, com base nos registros preservados ao longo do tempo e outras evidências. Quando isto não é possível, restam-nos apenas suposições ou estórias, que não passam de lendas." Talvez o Futebol de Mesa se enquadre nesta última possibilidade.

Dizem alguns que o futebol de mesa seria originário do "jogo da pulga", muito praticado na Europa, principalmente na Inglaterra. Que consiste em pressionar uma ficha com outra ficha, de maneira a fazê-la saltar para dentro de um recipiente, como um copo. Há também quem acredite que o nosso esporte tenha se originado de um jogo popular com três tampas de garrafa. Exemplificando: com um toque de dedo, deve-se fazer com que uma das tampas passe entre as outras duas; depois outro toque fazendo outra tampa passar entre as duas e, assim, sucessivamente, até chegar ao gol. Outros dizem que os marinheiros que aportavam e em dias de chuva não tinham o que fazer, pois adoravam jogar bola e assim ficavam dentro de galpões jogando com botões de cuecas, sabe-se lá de que forma.

Geraldo Décourt - um dos grandes difusores do futebol com botões

Geraldo Cardoso Décourt é, sem dúvidas, o precursor do que nós conhecemos atualmente como futebol de mesa no Brasil. Por volta de 1929, Décourt deu o nome de “Celotex” — que era o material usado para a confecção das mesas — ao jogo, que ali tinha o seu início enquanto esporte. Foi ele que criou o primeiro livro de regras. Afirmou, já quase aos estertores de sua vida, que nunca foi o criador do esporte e sim um dos seus maiores difusores. Décourt foi um incansável divulgador e organizador de eventos de futebol de mesa, o que propiciou o desenvolvimento do esporte e sua consequente popularização. 

Paralelamente ao incremento de novas regras, houve, em diversas regiões do Brasil, entre as décadas de 1930 e 1980, o desenvolvimento de materiais cada vez mais adequados à execução do jogo. Foram aperfeiçoados diversos tipos de botões e superfícies onde eles deslizavam, desde o piso das casas, mesas de jantar, até o icônico “Estrelão”, mesa de jogo sem cavaletes, produzida pela fábrica Estrela, durante os anos 1970. 

Estrelão - icônica mesa da fabricante de brinquedos Estrela

Muitos modelos de botões ficaram famosos, como, por exemplo, os “botões de osso ou de paletó”, que nada mais eram do que os botões retirados dos antigos ternos sociais; dentre esses, uma classe de botões conhecida como “Paulo Caminha” marcou época. Depois vieram as “capas de relógios”, que eram os “vidros” substituídos dos relógios que iam para conserto e tinham esses materiais trocados. Finalmente, na década de 1950, surgiram os botões industrializados, de plástico, com adesivos colados ao centro, contendo as faces dos jogadores e, mais tarde, os escudos dos times famosos do Brasil. Os botões de acrílico já eram utilizados, entretanto, em uma proporção bem menor em relação aos dias de hoje, quando são predominantes. 

Essa é um pouco da história que pretendemos descrever aos amigos do esporte, aqueles que amam o futebol de mesa com verdadeira paixão. Abraços e até breve.

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José Jorge Farah Neto, gestor desportivo e jornalista, nasceu em São Paulo, capital, presidente da CBFM (desde 2020) e da FPFM (desde 2018), anteriormente ocupou a cadeira da presidência da Federação Paulista de 2007 a 2014. Autor do "Almanaque do Futebol Paulista" de 2000 a 2004, o historiador do futebol de mesa José Farah tem inúmeras contribuições ao botonismo nacional e, dentro da plataforma Mundo Botonista, escreve sobre gestão esportiva e sobre os bastidores das instâncias que comandam o esporte no Brasil.
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farah@mundobotonista.com.br

(011) 99944-3000

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