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MUNDO BOTONISTA

Por Thiago Sthepan (03/08/2026)

Sabe de quem? Luís Roberto é o nome da emoção

Confesso que fui pego de surpresa ao assistir à edição de 5 de julho do Domingão com Huck. Vivia a expectativa da partida entre Brasil e Noruega, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, cujo resultado todos conhecem. Naquele dia, Luciano Huck levou ao palco do Domingão o narrador Luís Roberto, figura por quem sempre nutri admiração pela forma de narrar e pelo jeito simples de se comunicar. São anos e anos entrando nas nossas casas para transmitir as emoções das partidas de futebol e outros esportes. Mas, naquele momento, ele estava impossibilitado de exercer sua profissão em razão de um tratamento, o que impediu a participação na Copa. 

Na reportagem sobre a carreira do narrador, feita pelo jornalista Pedro Bassan, vi minha simpatia por Luís Roberto crescer ainda mais. Foi possível notar, claramente, o quanto ele torce pelo Brasil nas competições internacionais, sem deixar o profissionalismo de lado. E, quando Luciano Huck fez entrar uma maleta no palco, qual não foi minha surpresa ao ver que se tratava dos antigos botões do principal narrador da Rede Globo. Saltaram de dentro daquela frasqueira muito mais de pedaços de plástico: o ponta-esquerda Pita, o ponta-esquerda Nei “do Palmeiras histórico”... As recordações foram momentaneamente interrompidas por uma pergunta feita por Luciano Huck: “Você narrava partidas de futebol de botão?”. “Narrava”, respondeu Luís Roberto, voltando a falar de seus craques: Edu, Leivinha, César Maluco, Ademir da Guia. 

Em seguida, são exibidos os depoimentos de irmãos de Luís Roberto. Primeiro, Affonso de Múcio Jr.: “Ele se trancava no quarto para narrar o jogo de futebol de botão dele. Eu batia na porta para entrar, ele não abria, ficava bravo.” Depois, a irmã Daniele de Múcio: “Ele amava brincar de jogo de botão. O que ele queria era narrar jogo de botão. Ele ficava sozinho dentro do quarto brincando, narrando.” Affonso voltou a relatar: “Lembro também que a gente jogava bola na rua, num campinho perto de casa. Ele ia com um gravadorzinho entrevistar as crianças, os moleques. Foi aí que acho que começou tudo. Já tinha um talento desde criança, desde pequeno.” Vários familiares deixaram depoimentos para o narrador, encerrando com um “Eu te amo” da mãe, Dona Sebastiana, que segurava no colo a frasqueira com botões que posteriormente seria levada ao palco do Domingão. 

Ao ouvir essas histórias, foi impossível não me lembrar do meu Trabalho de Conclusão de Curso na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora: “O futebol de botão e as narrações esportivas”. Ainda com o tema indefinido, meu orientador, professor Márcio Guerra, um pesquisador das transmissões esportivas, entre outros temas, sugeriu relacionar o futebol de botão, que nós dois praticamos muito ao longo da vida, com as narrações. Neste estudo, argumento que muitos futuros profissionais de rádio e TV começaram a ensaiar nas partidas ocorridas nos estrelões e campos espalhados pelo Brasil. Além de Márcio Guerra, entrevistei profissionais como Guilherme Mendes, Oscar Ulisses, Rogério Corrêa, Rodrigo Dias e Ivan Elias. O depoimento de Luís Roberto acrescentaria muito a esse estudo, mas já se passaram duas décadas desde que fora concluído, já que estou completando 20 anos de formado neste mês de julho. 

Encontrei muita dificuldade para conseguir referências para embasar meu TCC, mas fiquei feliz com o resultado final. Obtive nota 10 de todos os integrantes da banca. Como lembrança, cada um fora presenteado com um botão. Márcio Guerra, botafoguense, ganhou um alvinegro. Os demais participantes receberam um do Vasco da Gama e outro do America. Encerrei a conclusão daquele estudo assim: “De qualquer maneira, além do futebol de botão ter sido um exercício para jornalistas, radialistas, locutores, narradores, além de ser a comprovação física da sensorialidade que o rádio causa, o futebol de botão encheu de sonhos os corações e mentes de milhares de crianças. O sonho de ser um artilheiro, o sonho de ser um craque, o sonho de ser um goleiro, e, no meu caso, o sonho de ser jornalista.”

Ao Luís Roberto, que descobri ser um colega de palheta, os votos de plena recuperação e que retorne logo às transmissões. Fez falta na Copa do Mundo, pois é um dos melhores do país no que faz. Na esperança de que este texto chegue ao seu conhecimento, deixo um singelo convite para que faça uma visita para conhecer as competições nacionais de futebol de mesa que existem atualmente. Tenho certeza de que ele vai relembrar o quanto de técnica e emoção esse esporte é capaz de transmitir. 

Particularmente, não sou afeito a comentar as minhas conquistas aos quatro ventos, mas, como essa se trata do resultado de um esforço coletivo, preciso tornar público o que foi feito. Porque a minha galera é massa. Porque o futebol de mesa é lindo. Porque a vida tem mais sentido quando existe um propósito. 

Tá no filó
Recentemente, o colunista Giovanni Nobile fez contato comigo pelo WhatsApp. O nome da sua coluna no Mundo Botonista é uma referência direta ao grito de gol do saudoso narrador Fernando Sasso, tão conhecido no Brasil, especialmente em Minas Gerais. Não nos conhecíamos ainda, e ele me contou que citou o estudo que fiz em uma publicação no Mundo Botonista. Confesso que me senti honrado. No texto, ele faz uma leitura de que o futebol de botão também dá brilho ao futebol, pois meninos que treinaram suas narrações nas partidas de botão emprestam essa emoção ao futebol nos estádios ao redor do mundo, ponto de vista que me enche de felicidade. Aproveito para desejar sucesso no livro que Giovanni está escrevendo e deixar reservado, desde já, um exemplar. Certamente será lido, compartilhado e guardado com muito carinho. Aproveito para mandar um abraço especial a outro colunista, Jonnilson Passos, da coluna “Botão Com Ciência”, que, em 20 de julho de 2024, publicou um texto muito bacana em que abordou “O futebol de botão e as narrações esportivas”.

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Thiago Stephan

Mineiro de Juiz de Fora, Thiago Stephan cresceu com a palheta na mão esquerda. Ganhou o primeiro time antes dos cinco anos e nunca mais parou de jogar. Aos 12, conheceu a regra 3 Toques e, desde então, participa de competições na sua terra natal e em outras cidades do Brasil. É formado em Comunicação Social pela UFJF e, atuando como assessor de imprensa, já são quase 20 anos divulgando o esporte para os veículos de comunicação. Entusiasta do futebol de mesa, sempre buscou contribuir para o desenvolvimento da modalidade nos clubes por onde passou. Aqui no portal, o cronista é  responsável para coluna Estrat3gia, espaço dedicado à regra 3 Toques no Mundo Boonista.

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