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MUNDO BOTONISTA

Por Eduardo Lezcano (29/07/2026)

Streaming

Estes dias, proseando com um grande amigo, Luis Lima, presidente da nossa Federação Gaúcha de Futebol de Mesa, a conversa acabou ganhando corpo e abriu espaço para uma excelente reflexão. O tema era a paixão pelo futebol, futebol de mesa, claro, e transmissões dos campeonatos aqui no Rio Grande do Sul, cada vez mais frequentes também pelos demais estados do Brasil, por meio dos canais de streaming. Durante o diálogo, fiz referência aos diversos comentários sobre as transmissões que escuto há algum tempo por parte de muitos participantes, em cada um dos eventos realizados na regra 1 Toque (Liso e Cavado), pelo canal da FGFM no YouTube. Não são poucos os botonistas que relatam situações como estas:

“Acordo cedo já no sábado e passo o fim de semana assistindo a todos os jogos transmitidos, saindo somente para realizar as refeições.”

“As transmissões me fizeram voltar a ter paixão pelo futebol de mesa.”

“Hoje, nosso esporte tem o respeito e a visibilidade que sempre mereceu.”

Outros trazem o contexto familiar para o centro da conversa:

“O pessoal lá de casa, esposa e filhos, estava ligado nos meus jogos.”

“Minha esposa, antes não curtia o futebol de mesa; agora, não sai da frente da tela.”

Esses relatos, para alguns, podem passar despercebidos. Porém, dizem muito sobre como nós, botonistas, deveríamos compreender o atual contexto do nosso esporte com a utilização dos streamings. Para isso, creio ser importante voltarmos um pouco no tempo e estabelecermos uma relação com o rádio e com a televisão, para então compreendermos e, principalmente, entendermos o momento que estamos vivendo hoje.

Durante muitos anos, o rádio ocupava os lares e estimulava a imaginação das pessoas. Cabia ao narrador descrever uniformes das equipes, etc., além de criar expectativa, como se estivesse num palco épico; era necessário dar emoção ao que não era visto. O ouvinte construía mentalmente o cenário, o lance, a jogada, o gol... Em 1950, quando Sônia Maria Dorce anuncia: “Boa noite, está no ar a televisão do Brasil”, com a inauguração da TV Tupi, idealizada por Assis Chateaubriand, o futebol deixa de ser apenas imaginado e passa a ser visto. Já não era apenas o narrador descrevendo cenários; agora era possível observar o contexto e ver o espetáculo se desenrolar diante dos olhos. O mais importante: a chegada da televisão passa a reunir amigos e famílias em torno da tela.

Hoje, o streaming faz algo semelhante com o nosso amado futebol de mesa.  As transmissões entram na rotina, unem pessoas, mexem com as emoções, atravessam o fim de semana e conectam amigos de associações e familiares ao evento.
Os depoimentos colocados por muitos revelam exatamente isso de forma espontânea: as transmissões via
streaming das competições de futebol de mesa trouxeram muito do que o rádio e a televisão, em seus primórdios, representavam. O futebol de mesa passou a fazer parte do cotidiano dos simpatizantes, dos colegas de associação que, por motivos diversos, não puderam participar de determinado evento e, principalmente, dos familiares dos participantes, que, por meio da tela, imaginam, projetam e torcem pela vitória dos botonistas.

Nós, envolvidos hoje nas transmissões de futebol de mesa, precisamos ter a exata noção do nosso papel. Nosso desafio é unir a emoção do rádio à imagem, trazer o espectador para um palco épico, tornar o jogo, o gol, um espetáculo único, saber dar o tom certo para que esse espectador jamais se desprenda da tela. É preciso oferecer a sensação de pertencimento.

O narrador, atento aos detalhes do jogo, precisa trabalhar com a imaginação e com a imagem, criar bordões, tendo como referência os antigos monstros do rádio: Fiori Gigliotti — “Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo”; Waldir Amaral — “Tem peixe na rede”; Osmar Santos — “Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha”, “É que gol!”. Também são referências inesquecíveis da televisão brasileira nomes como Januário de Oliveira — “Tá aí o que você queria”, “Quem ganhou, ganhou; quem não ganhou, não ganha mais”; e Silvio Luiz — “Pelo amor dos meus filhinhos”, “Foi, foi, foi ele!”. Enquanto isso, cabe ao mago das câmeras capturar a imagem perfeita da mesa, utilizando os recursos que as câmeras proporcionam, levando o replay dos gols e eternizando vitórias.

Enfim, o futebol de mesa, seja qual for a regra, hoje não diz respeito apenas a uma mesa ou a um ambiente fechado, onde somente os participantes vivem as emoções da competição.  A vibração agora é dividida com quem também é apaixonado pelo esporte, mas que, por algum motivo, não está participando do evento. Hoje, temos a torcida em casa, através da tela.

Fazer de cada evento uma experiência épica é a nossa obrigação!

Viva o futebol de mesa!

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Botonista da regra 1 toque, o gaúcho Eduardo Santos Lezcano, atuou por anos no jornalismo geral e esportivo em algumas emissoras do Rio Grande do Sul como locutor comercial, produtor, repórter e plantão esportivo. Desde 2020 Lezca dedica-se às transmissões no canal do  YouTube da Federação Gaúcha de Futebol da qual compõe a pasta de comunicação. No portal Mundo Botonista Lezca é cronista da coluna De toque em toque desde o início de 2026.

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lezcano@mundobotonista.com.br

(51) 99372-1019

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