Painel do Mundo
Por: Jonnilson Passos em 19/05/2026
Futebol de botão: uma só língua e cheia de desafios

Amigos botonistas de todo o Brasil e quiçá de todo o universo! Um sábio uma vez citou: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz…” Gonzaguinha, ao expressar esse verso, nos encoraja a encarar desafios e a superar as frustrações. Vamos aos fatos… O futebol de mesa aqui ou em qualquer lugar do mundo é sempre desafiador. Recebi a missão de tentar decifrar códigos linguísticos húngaros. Como assim?
Caiu em minhas mãos, presente do nosso diretor Jeferson Carvalho, um artigo escrito em húngaro e, por meio de uma “metodologia” desafiadora, conseguimos traduzi-lo em partes. Destacamos que o documento em questão trata de um estudo primoroso realizado, intitulado "JOGO DE IMITAÇÃO DO FUTEBOL: O GOMBFÓCI", escrito por Gráfik Imre. Nascido em 4 de agosto de 1944, na cidade de Balatonalmádi, Gráfik Imre formou-se em Língua e Literatura Húngara, além de Etnografia e Museologia, pela Eötvös Loránd University. Posteriormente, obteve doutorado em etnografia e tornou-se candidato em Ciências Históricas/Etnográficas pela Academia Húngara de Ciências. O uso da IA no processo de tradução foi fundamental e seguiu o seguinte rito: A metodologia adotada para construção dessa crônica adotou um resumo do
abtract que estava em inglês e depois comparou com a tradução do original em húngaro.

O etnógrafo húngaro Gráfik Imre aos 81 anos
Ambos nos deram resultados idênticos ou, no mínimo, similares, como segue em português do Brasil: desde que o futebol existe, torcedores com espírito lúdico sempre procuraram modelar a essência do esporte na forma de algum tipo de jogo tático e de habilidade praticado sobre mesa. O jogo popular do início do século XX, conhecido como futebol de botão, considerado um
Hungarikum (patrimônio cultural húngaro), é claramente um desses exemplos.
O artigo explora a história cultural do jogo, documenta a evolução de suas denominações — jogo de botões (buttoning), futebol de botão (button football), futebol de mesa (table football), futebol de mesa/soccer de mesa (table soccer) — e define sua relação com outros jogos semelhantes (por exemplo,
a Szektorlabda/Sectorball). Palavras-chave: imitação do futebol, futebol de botão, futebol de mesa,
Szektorlabda
(Sectorball), o botão como símbolo.” Para um bom entendedor, meio
abstract
ou meio resumo, basta!
Voltando ao nosso universo botonista, o que amplia muito o nosso atual mundo botonista, percebemos que o estudo revela um enorme respeito pelo esporte e que busca elevá-lo ao patamar de um “patrimônio cultural húngaro”, sobretudo ao espelhar em outras, digamos assim, modalidades locais, inclusive com o Sectorball.
A interdisciplinaridade está sempre presente. Nosso desafio maior aqui é garimpar e tentar ajudar os colegas a buscar suas próprias interpretações sobre temas já estudados. Sem propor juízo de valor. O desafio é grande e quero dividir com vocês. O texto acadêmico passeia por outras nuances culturais da Hungria e deságua no esporte mais lindo do mundo, o futebol de mesa/soccer de mesa (table soccer), o que gerou em mim uma problemática desafiadora, como segue:
O nosso futebol de mesa, assim como o universal futebol de botão, comumente citado como a mais pura expressão infantil do jogo, tem de fato uma linguagem universal? Estive no Campeonato Brasileiro de Futebol de Mesa realizado em Campinas e pude testemunhar a presença de dois atletas internacionais, o húngaro Andras Hicz e o nipo-brasileiro Halley Tanaka. Por questões éticas, não vou me ater aos resultados na mesa, pois sabemos que o Brasileirão é bem exigente, mas vejo com bons olhos como a comunicação se deu nas mesas e como o sorriso e a satisfação estampada neles em jogar nosso campeonato eram demonstrados a todo instante, independentemente dos resultados.
Parabéns a eles pela coragem e postura e à Confederação Brasileira de Futebol de Mesa (CBFM) por proporcionar essas interações que nos educam. Portanto, assim como destaco esta problemática desafiadora, atrevo-me também a propor uma única hipótese: A comunicação entre povos diferentes, quando se trata do futebol de botão, assume uma eficiente linguagem universal por conta da “pureza” das crianças adultas que somos todos nós. Seja nas expressões de amor ou de raiva. Alguns amigos levam tão a termo nosso esporte, ou jogo, que "envelhecem" e deixam de brincar, chegando a provocar brigas desnecessárias. É preciso que nos policiemos quanto a estes comportamentos que em nada contribuem para o desenvolvimento do futebol de mesa.
Nada melhor que o próprio Gonzaguinha para nos ajudar a sustentar essa tese: “Eu fico com a pureza das respostas das crianças. É a vida, é bonita e é bonita!” Nosso esporte (ou jogo, ou brincadeira) é bem mais feliz quando nos propomos a praticá-lo com o mesmo clima amigável de quando jogávamos em nossas infâncias. Finalizo esta crônica citando o dramaturgo, romancista, contista e jornalista irlandês, George Bernard Shaw que e um de seus célebres ensaios afirmou: “Não deixamos de brincar porque envelhecemos; envelhecemos porque deixamos de brincar.”
VIVA O BOTÃO, VIVA A CULTURA, VIVA A BRINCADEIRA.
Biblioteca de "Botão com Ciência"
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Jonnilson Nogueira dos Passos, um apaixonado pelo Futebol de Botão e um talentoso Mestrando em Educação pela UFMA é também, contador, gestor público, professor, e tutor em EaD destacando-se na formação de tutores e formadores de diversas disciplinas a distância. O comprometimento do maranhense com o esporte vai além das competições; ele acredita no potencial do Futebol de Botão como objeto de estudo e pesquisa, com ênfase em sua história, impacto cultural e aspectos técnicos. No portal Mundo Botonista, o educador aceitou o desafio de explorar as fascinantes relações entre o Futebol de Botão e as Pesquisas Científicas no Brasil assinando a coluna Botão com ciência.
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jonnilson@mundobotonista.com.br




































