Painel do Mundo
Por Erismar Gomes (19/08/2026)
Falta prazer em jogar botão?

Ultimamente eu tenho ficado cismado com uma coisa. Confesso que me incomoda um pouco sentir que falta aquele prazer em jogar botão. Com o passar do tempo e as diversas competições na agenda anual do futebol de mesa 12 Toques, as torneios foram paulatinamente mudando de patamar e o nível técnico — por diversos fatores que já mencionamos em outros textos desta coluna — foi subindo vertiginosamente. Os botonistas tomaram gosto em competir e, cada vez mais, as etapas aqui em São Paulo estão com um número elevado de inscritos. A principal competição nacional teve que se adaptar para abrigar mais do que as tradicionais 64 vagas e, dependendo do local, ainda fica gente sem poder participar.
Claro que isso é bom para o esporte, pois o deixa cada vez mais vivo. Os fabricantes de times e comerciantes nunca venderam tanto. Entretanto, sempre há um porém. Estive reparando que também aumentou consideravelmente o número de rabugentos, de todas as idades. Chegam para competir com sorriso no rosto e uma vontade louca de ouvir a palavra mágica: valendo. Contudo, no primeiro gol sofrido, o bom humor do atacante habilidoso e voraz é substituído, abruptamente, pelo terrível zagueiro zangado e raivoso. Começa então a reclamação de tudo, das bolinhas, das mesas, das condições climáticas e daquele gol de sorte do adversário. Tudo vira um inferno para eles, pois estão lá apenas para ganhar; assim, outro resultado não serve. Esquecem que as vitórias vêm com naturalidade e nunca forçadas.
Infelizmente, percebo que o prazer de jogar desapareceu e aquele ou aqueles dias agradáveis, programados, viraram uma tormenta, destoando totalmente do espírito desse esporte maravilhoso. Cadê o prazer em jogar botão? Será porque o esporte evoluiu tecnicamente de quando começara que tem que ficar preso à obrigação de só ganhar? Será que jogar cada partida fazendo o seu melhor, aproveitando aquele precioso tempo, não é bem mais positivo para a saúde mental, tema que está em alta? Ainda bem que ainda existem aqueles que querem ganhar sim, afinal é uma competição, mas antes de tudo têm o prazer de estar ali, de aproveitar o máximo possível. Para muitos, a competição nada mais é do que poder aferir o nível no qual você está naquele momento, mas, acima de tudo, o desejo de vencer não pode roubar o seu bem-estar.
E vocês, o que acham?
Biblioteca de "Doze Giros"
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O corretor de seguros Erismar Ferreira Gomes, é paulista, torcedor do Santos F.C. um apaixonado pelo futebol de mesa e no video-game. No botonismo tem um rastro indelével tanto no espectro da gestão (tendo sido diretor de departamentos em clubes importantes como Corinthians e Maria Zélia) e presidente da Federação Paulista; quanto na qualidade de atleta - onde ostenta inúmeros títulos, incluindo um bicampeonato Brasileiro por equipes e o título Brasileiro individual em 2005 (ambos na categoria másters). Erismar é uma testemunha privilegiada da história e evolução da regra 12 toques pois não apenas a viu nascer mas participou ativamente da sua história.
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