Painel do Mundo
Por Sergio Travassos (27/07/2026)
Mentalidade

Todos nós sabemos quem é Abel, não? Há séculos. Desde os tempos bíblicos. Abel, irmão de Caim. Ah, não. Esperem. Há outro Abel. Um Abel com personalidade de Caim. Voraz, briguento, ávido, obsessivo. É o técnico do Palmeiras: Abel Ferreira. Este competente e cativante comandante quebra aquela ideia de que europeus são frios e totalmente racionais. Ele é explosivo, quente, incandescente. Quase um Viriato (180-140 a.C.). Admirado até pelos seus adversários. Ele seduz e convence os seus de que podem superar a si, os outros e as adversidades. Não à toa, amealha toneladas em troféus e está há mais de cinco anos no comando Palestrino. E, sinceramente, a minha vontade de vê-lo por mais tempo no Palmeiras só é superado pela minha utopia de que venha a comandar o Santa Cruz a partir de 2030 (ano que prevejo que o clube volte à série A).
Eis um camarada com quem gostaria de conversar sobre estratégias, táticas, superação. Essa maneira de ser, as inúmeras valências, cada uma na dose certa para cada momento, esse jeito vitorioso, trabalhador, nos fazem querer ser melhor a cada momento. Claro, tem os seus exageros. Alguns racionais, com propósito. Outros, nem tanto. Mas com propósito, não se enganem. Com ele, o Palmeiras nunca pode ser uma carta fora do baralho. Não podem desprezar por causa de derrotas – algo natural no desporto e na vida. Volta e meia, “surge o Alviverde imponente”, a causar estragos e pelejar por títulos.
Outro dia, em um multiverso de inúmeras situações, estava discorrendo com o “todo poderoso” do nosso Mundo Botonista, Jeferson Carvalho quando o técnico do Norte de Portugal, surgiu atropelando tudo. E fiquei a contemplar as situações quando me deparei com uma palavra: mentalidade. E, logo em seguida, quem nas nossas mesas teriam a mesma mentalidade. Não fui em busca de dados, matérias, tabelas e fotos para isso. Aqui, tudo tem que vir da minha maravilhosa memória seletiva e cheia de erros. Que me surpreende com puxadas de memória incríveis, quase epifanias, e esquecimentos escabrosos.
Então, começo pelo “homem de gelo”, o multicampeão da 1Toque cavado, Cristian Baptista. Um monstro de palheta teleguiada. Ele pode não treinar, passar meses sem jogar contra adversário algum, mas, quando adentra ao salão, todos o reverenciam. Sabem do que ele é capaz. Você pode até ser campeão, ganhar dele, mas dizer que não se enquadra na prateleira de Abel Ferreira... E fico feliz por ele estar começando a jogar nas mesas da 1 Toque Liso.

Claro que cometerei “injustiças”, mas continuo aqui a aguardar outros nomes. Que venham fácil. Não quero ter trabalho. Na 1 Toque Liso, me chegam alguns nomes de uma vez. Deixem-me organizar aqui: Pimentel, Diógenes, Tosta, Franklin. Tento encontrar palavras aqui para descrever esses monstros de outro mundo mas uma resume bem: uau. Tentei relembrar quantos títulos nacionais cada um tem e a minha cabeça fritou como quando tentava calcular a hora em que dois carros, um saindo de Petrolina, com velocidade média de 70km/h e outro de Recife, a 65km/h, se encontrariam e em que cidade, para uma prova no segundo grau. São tantos os títulos. Mas a mentalidade não pode ser apenas medida por títulos. Quantas vitórias? Quantos bons jogos? Quantos pódios? Quantas vezes, após derrotas e períodos sem títulos, eles voltaram do limbo com um troféu nas mãos? É a famosa mentalidade campeã.
Seria injusto se a mentalidade campeã de que falo fosse apenas a dos que sobem aos pódios. Não. A dita mentalidade também está presente naqueles que trabalham mais de 10 horas ao dia, levam duas horas para chegar em casa ao final do dia, treinam uma vez na semana, perdem, frustram-se, tentam. Esses também têm a mentalidade vencedora. Apenas não tem os recursos e condições. Como disse anteriormente, são inúmeras as valências que implicam na formação de um campeão de direito e um de fato. E quando ambos os campeões se juntam numa competição, que maravilha surge.
Sergio Travassos é jornalista com outras duas formações - Educação Física e Marketing - que atua há muito tempo em prol do desporto pernambucano. Tendo passagens pela Federação Pernambucana e CBFM. Sendo uma das figuras que mais defende o jogo de futebol de mesa, independente da regra de atuação, bem como que as competições sejam feitas em locais públicos, visando atrair mais visibilidade para o futmesa.
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