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MUNDO BOTONISTA
Em Algum Lugar do Passado

Por José Jorge Farah Neto (26/07/2026)

A história de um livro

Em meados de 1997, eu conquistava o título da Copa do Brasil de Masters da regra 12 toques enfrentando na final, um dos maiores campeões de todos os tempos, o amigo “Nilson Rodrigues” do Paraná, pai do não menos maravilhoso Robertinho, atleta doze vezes campeão nacional. Para além da inevitável vaidade que um feito desta grandeza poderia, por si só, se justificar, fiz este preâmbulo para contar aos amigos um pouco das alegrias que o futebol de mesa já me proporcionou e, mais do que isso, o quanto ele foi importante na minha vida e constituinte do meu caráter como indivíduo apaixonado pelo esporte.

Concomitante com minha carreira dentro do esporte, eu era um colecionador de tudo sobre futebol, e principalmente escudos de times, o que era uma dificuldade para se adquirir. Trocava papéis desenhados com muitos amigos, dentro do futebol de mesa mesmo. Poderia citar diversos, mas farei menção a apenas alguns poucos. Talvez o mais apaixonado deles seja o nosso amigo Elvis Teruel, atleta hoje do Corinthians de São Paulo. Ele conhecia um senhor de nome Orlando Del Biaggio (já falecido) que desenhava os escudos em cartelinhas, contendo 12 escudos, propositalmente para decorar times de botão.

Pelo ano de 1995, conheci Rodolfo Kussarevum, um rapaz que se tornaria meu amigo, colecionador e também jogador de botão amador. Jogávamos muito botão na residência dele, em campeonatos deliciosos e muito organizados. Éramos também colecionadores de escudos e, por intermédio da revista Placar, descobri que ele desenhava escudos no computador, conhecimento que ele compartilhou comigo depois.

Nesta mesma época, fomos colaboradores da referida revista, onde ajudamos na confecção de uma edição especial cujo título era "Os 500 maiores times do Brasil". Isso serviu para nos instigar mais ainda, e resolvemos garimpar o estado de São Paulo, para procurar escudos de futebol de times antigos e extintos para confeccionar times de botão. Como eu tinha acesso a um arquivo muito grande, consegui muitos papéis timbrados de times extintos e pouco conhecidos.

Percorremos o estado de São Paulo durante um mês para buscar escudos em pequenas cidades. Logicamente, nunca deixamos de lado o jogo de botão, pois, ao mesmo tempo, nestas pequenas cidades, procurávamos por times diferentes e botões raros. Como consequência dessa maluquice toda, veio a ideia de escrever o Almanaque do Futebol de São Paulo (edições de 2000/01/02/03/04), citando todos os times existentes que jogaram, ao menos uma vez, o Campeonato Paulista, sempre nos baseando no futebol de mesa e nos 500 clubes da revista Placar. Gosto de me lembrar decorei muitos times de botão com estes escudos de clubes extintos.

Hoje eu continuo buscando informações sobre o nosso esporte, principalmente os históricos, federações, clubes, atletas e outros. Temos diversos pesquisadores do futebol de mesa e, quem sabe, um dia, publicaremos um livro sobre a história do nosso próprio esporte. Dados para isso temos muitos, entretanto, por mais que eu procure, sempre falta muito. O futebol de mesa talvez seja uma das modalidades (quando ainda era só um brinquedo) mais praticados no território nacional, depois do futebol. 

Tomei o tempo de vocês para contar esta singela e verdadeira história de como a paixão e o prazer que o futebol de mesa nos proporciona me levou a ser coautor de uma das obras mais incríveis sobre o futebol paulista, considerada por muitos a bíblia do futebol no estado, modestamente.

Volto com mais histórias na minha próxima crônica. Até breve. 

Biblioteca de "Em Algum Lugar do Passado"
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José Jorge Farah Neto, gestor desportivo e jornalista, nasceu em São Paulo, capital, presidente da CBFM (desde 2020) e da FPFM (desde 2018), anteriormente ocupou a presidência da Federação Paulista de 2007 a 2014. Autor do "Almanaque do Futebol Paulista" de 2000 a 2014, o historiador ocupa a cadeira 28 entre os 40 membros da Academia Brasileira de Letras do Futebol. Dentro da plataforma Mundo Botonista, Fara já escreveu sobre gestão esportiva e hoje se dedica ao resgate da história do futebol de mesa na coluna "Em algum lugar do passado".
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farah@mundobotonista.com.br

(011) 99944-3000

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